terça-feira, 3 de março de 2009
UM AI DE ESPERANÇA
segunda-feira, 2 de março de 2009
PEDAÇOS MEUS
Pedaços meus

É com ninguém
que faço este caminho
de angústia e pedras
Sou eu, só,
caminhando cega
por uma trilha tortuosa.
Ó dor, ben' vinda!
É assim que sei
como estou viva
E passo os passos
no chão bruto
e pó.
Posso deixar de lado
qualquer sonho vão
A sorte é crua
A esperança, nua de certezas
apenas vaga nas sombras
misturando-se à neblina
do crepúsculo.
A noite certa
emudecerá meu gesto:
filme velado
vida velada em brumas.
Vejo o corpo do futuro:
Ossos e carne negra,
negra pele
negros dentes
fiapos brancos de plumas
despencam.
O furacão me suga
É com ninguém
que faço este caminho
de turbilhão
e dor: réstia de luz amarga
acenando,
acenando...
É com ninguém
que cruzo o labirinto
arrastando o peito
sobre cacos.
Só.
Sei. Que preciso
Deseperadamente
Sobreviver.
Gleidi Campos
PESADELOS
Pesadelos
(Foto José Ferreira)Fui até o inferno ou
o inferno veio até mim
com suas chamas férvidas.
Frio que queima mais que as chamas,
Frio que queima mais que as chamas,
monstros horrendos,
demônios da minha imaginação
arranham-me, puxam-me,
jogam-se contra o chão
até que de sobressalto acordo
de meu pesadelo, fruto
da 'mea culpa' que tortura
minha alma e faz
meu corpo doer, contorcendo-me
contra mim mesma,
ferindo-me por dentro e por fora.
Frio, calor, febre, fome, dor.
Contorce-se em meu ventre
um dragão impiedoso,
revolvendo minhas entranhas,
fazendo-me sangrar até o fim.
Num sobressalto desperto
e, sem saída eu vago
pela escuridão do quarto.
Insone delicio-me no silêncio
da noite, nada mais me assusta
além do dia que ameaça nascer.
Rose Chiossi
FALSO COLAR
Falso Colar
(Foto Solange Mazzeto)Ornado em teu pescoço está
o colar de pérolas falsas
intercaladas com brilhantes
pedras de vidro.
Mas ele lhe é rico, inestimável,
não poderia querer outra coisa.
Tão cheio de histórias,
lembranças de sua mãezinha,
na verdade a última coisa que
ela lhe deu – ainda carrega seu perfume -
junto ela lhe ofereceu seus sonhos,
anseios, expectativas, desejos.
Hoje carregas ao colo, pendido,
iluminando teu caminho, contrastando
com teu belo sorriso
o colar falso de um amor verdadeiro.
Miss T.
A MULHER QUE FALAVA COM OS PÁSSAROS
A mulher que falava com os pássaros
Havia naquela pequena cidade de pouco mais de seis mil habitantes, uma mulher que falava com os pássaros. Falava e ouvia. Eles lhe visitavam diariamente e contavam em seus cantos de suas viagens pelo mundo, dos lugares maravilhosos que conheciam. Contavam das matas, dos rios, dos montes e também da crueldade humana, da poluição, da caça ilegal, da ganância.
Ela ficava por horas na varanda de sua casa conversando com os únicos amigos que possuía na vida.
Na cidade, era chamada de louca. Apontavam-na com deboche ou com pavor. Era motivo de piadas e, para os menores, era apontada como perigosa.
Certo dia, alguns rapazes caçaram uns dos amiguinhos da mulher e os jogaram em sua varanda, mutilados e mortos.
Ela ficou terrivelmente ferida em sua alma e então, teve a idéia de avisar o maior número possível de pássaros para que não mais voltassem àquela cidade, sequer a sua varanda. E assim foi por dias, ela avisando seus amiguinhos, que avisaram outros até que nenhum pássaro mais ousou cruzar o céu daquela cidadezinha de pessoas tão cruéis.
Algum tempo depois, ela foi encontrada sem vida, sentada na varanda.
Apesar de dizerem que havia morrido pela loucura ou pela solidão, ninguém que a viu morta jamais esqueceu o ar de serenidade de seu rosto e a candura de seus olhos voltados para o céu.
Malu Sant'Anna
PODER
Ao nascer a luz irradiante,
em mim lembranças constantes,
de um novo poder sobremaneira
grande e delicado a ponto de
se importar com a pequena flor
do pântano.
Desce sobre essa flor e com a medida
certa de carinho espalha sonhos
dentro dos corações.
Ah! Se soubéssemos a grandeza
deste poder não haveria nesta galáxia
uma alma fria e nem morte.
O poder veio no meu coração,
e hoje ele vive em constante emoção.
este poder se chama
amor.
Mari's Schurr
sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009
LUA E SOL
Anoiteço mais um dia... E na noite tão fria, não sinto teu calor costumeiro... Lembro-me quando, às tardes, ao longe, admirava-te, luminoso, espalhando uma doce e revigorante energia que preenchia toda a casa. Bons tempos...Teu sorriso; mil sóis enigmáticos. Quanto
encanto!
Em miragem, tu adentras pelo quarto e a fria noite, constrangida, vai-se embora. Um calor intenso povoa nossa cama. Entre os lençóis embolados, ouço de ti declarações indizíveis. Embalada nesse enlevo, sinto-me revivida. Por um segundo eu supus ser realidade. Mas... Ao abrir os olhos, a cama fria, intocada, denuncia a ilusão. Por fatos tão banais tu partistes.
E eu aqui, gélida como a lua, anoitecendo a cada dia frio, sonhando acordada, na esperança de reaver o brilho do teu sol...
Lena Ferreira-2009
CORDA BAMBA
Ínfimo é o espaço
de um pé ante o outro,
cambaleante sobre
o fio da dúvida.
Não consigo andar
nessa retidão fatídica
sem me arremessar
aos barrancos do flanco.
É de outro que preciso,
o caminho ao lado,
o não escolhido.
Porque na minha boca
fica sempre o gosto
do pedaço que não provei.
de um pé ante o outro,
cambaleante sobre
o fio da dúvida.
Não consigo andar
nessa retidão fatídica
sem me arremessar
aos barrancos do flanco.
É de outro que preciso,
o caminho ao lado,
o não escolhido.
Porque na minha boca
fica sempre o gosto
do pedaço que não provei.
Malu Sant'Anna
DE DÉU EM DÉU
De Déu em Déu
(foto Graça Loureiro)Eu pergunto à estrela noturna;
- O que você faz aí ao léu?
E ela responde: - Não sei.
Sei que a noite é mistério
Cujos sinais eu quero decifrar.
Você já ouviu os ruídos da noite?
Você já ouviu os silêncios da noite?
Você já voou nos braços da noite?
Você já mergulhou a noite?
As estrelas me acompanham
e enfeitam o meu caminho.
São amigas, companheiras.
Nos seus passos cadencio os meus
E a Estrela Guia é só sabedoria
de quem muito viveu
que alimenta e sacia.
A madrugada me aconchega
em seu colo
E eu percorro a via dos sonhos
E descubro gozos impossíveis
E me embalo nas ondas de luz. A aurora me despe
e nua me recolho
e a aguardo outra véspera
e assim eu vivo: de Déu em Déu.
Gleidi Campos
NUM QUASE DESABAFO
Num quase desabafo

(foto Vasco A. - Deixo-vos a pensar...)
Tenho um grito contido na garganta
- está lá, na base da língua – prontinho...
mas não sai!
É como um quase grito,
um quase gozo,
um quase...
Desfeita,
estou pelo caminho,
aos pedaços de um eu,
como pás de areia molhada.
Seca
Seca
serei mais como o chão
ou melhor, serei as ondulações do chão,
oscilações...
N’alma, parasitada, estão as dúvidas
do que me fizeram conter o grito.
Miss T.
TENHO SEDE...
Tenho sede...
E toda a água do mundo não mata minha sede.
Ouço um chamado.
Como ecos na escuridão, não sei de onde vem.
O coração silencia, sobrevivo amorfa.
Através do espelho vejo teus olhos que me olham.
No limiar entre o sonho e a realidade, teus abraços me envolvem.
E satisfaço minha sede com brumas,
atendo ao chamado na penumbra,
me aqueço no calor do teu corpo ausente,
beijo incansavelmente meu próprio desejo.
Rose Chiossi
VOLTAS E TROPEÇOS
Voltas e Tropeços
(Foto Jingna Zhang)
Andei pelos apertos
cortei-me pelas ruas serrilhadas
que como navalhas tiraram meus
calçados e calejaram meus pés.
Não havia pedras,
Nem lugar onde se assentar,
Apenas espinhos e ao redor
Um imenso mar.
Havia diante de mim,
onde a vista podia alcançar
a esperança do sofrimento enfim
um dia terminar.
Reclamei e não olhava para trás,
esqueci de olhar-me ao espelho
e não percebi que o que almejava
estava perto de me alcançar.
Bastava apenas me assentar,
basta apenas parar.
Mari's Schurr
cortei-me pelas ruas serrilhadas
que como navalhas tiraram meus
calçados e calejaram meus pés.
Não havia pedras,
Nem lugar onde se assentar,
Apenas espinhos e ao redor
Um imenso mar.
Havia diante de mim,
onde a vista podia alcançar
a esperança do sofrimento enfim
um dia terminar.
Reclamei e não olhava para trás,
esqueci de olhar-me ao espelho
e não percebi que o que almejava
estava perto de me alcançar.
Bastava apenas me assentar,
basta apenas parar.
Mari's Schurr
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
DGTV 2
ZERANDO OS CONTADORES
Zerando os Contadores
(Foto Paulo Franco)Um segundo estrondoso
que me valha insistir...
Qual navalha
que à carne serve
verve ao despertar.
Sou magnólia tocada pelo vento,
esquife da minha agonia
à espera do jardineiro
para enfim poder sorrir.
Não, ainda não
estou pronta para desistir.
Ainda tenho escroto
mesmo tendo sido
castrada ao renascer,
ao me parir fêmea,
minha mãe.
Tenho nas mãos
atadas pela cinesia
intermitente da vida
a chave do tempo.
Meu tempo.
Descobrir...
Malu Sant'Anna
DESEJO AO EXTREMO
Desejo ao Extremo
(Foto Duarte S.) De repente meu quarto fica pequeno,
As paredes se comprimem em minha direção,
O dia amanhece mas ainda é escuro,
E as lâmpadas da rua estão acesas.
Tive um sonho ruim de desespero,
Onde ouvia tua voz distante a me chamar,
Acordei de sobressalto sentindo teu cheiro
E o calor do teu corpo ardendo em febre.
Senti teu suor e um suspiro, o teu chamado
Estava no ar e quis te abraçar, meu travesseiro
Era o teu corpo, e o teu cheiro meu perfume,
Teu calor era o meu e a febre, intenso desejo.
Ligo o chuveiro e a água quente, o teu toque
Que desliza pelo meu corpo e se arrepia
Sentindo teu corpo por fora e por dentro,
Sentindo teu corpo por fora e por dentro,
Deslizando sobre mim, ágil como sabonete.
Quero inteiro, todo e ao máximo,
Que tome para si toda minha doçura,
A maciez e calor que te ofereço,
Imploro: toma-me por sua.
Rose Chiossi 07/08/2008
POEMA DE TARJA PRETA
Poema da Tarja Preta
(foto Daniel Coelho)Traço apressados rabiscos
Tremendo; temendo riscos,
Dos psicotrópicos, o efeito:
Trazerem-me à razão!
Deixem-me voar mais um pouco
Solta; sem correntes arco-íris
Multiformes e amargas
Não quero tocar no chão agora...
Aviso, eu juro, quando for a hora!
(Quero por mais um segundo
Ser sem preciso estar...)
Deixa-me ao menos concluir este rabisco?
Lena Ferreira-2009
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